Degustando Vinhos Varietais...
A
descrição aromática dos vinhos varietais
não é um processo fácil; exige concentração,
conhecimento e técnica.
Embora de extraordinária capacidade de detecção
e memória, o senso do olfato não tem uma estreita
comunicação com as áreas do cérebro
que processam a linguagem, tal qual ocorre, por exemplo, com
o senso da visão. Por isso, podemos descrever com facilidade,
e com detalhes minuciosos, uma paisagem, mas temos dificuldade
para descrever os cheiros que exalam de um prato de comida ou
de um perfume. Na maior parte das vezes, os cheiros percebidos
nos lembram algo, porém não somos capazes de resgatar
as palavras para descrevê-los. Nas sessões de degustação
de vinhos é freqüente a seguinte situação:
- Este vinho branco lembra goiaba.
Então dizemos, depois de agitar a taça mais duas
ou três vezes:
- Ah, sim! Agora sim. É mesmo, go-ia-ba... e daquelas
que colhia quando criança, no quintal do vizinho.
Bem, se você estiver bebendo um bom Chenin Blanc, isto
é bastante provável.
Sob o ponto de vista da bioquímica e da genética,
o fato é que a natureza, apesar da ampla heterogeneidade,
se repete ao sintetizar seus aromas. O metabolismo secundário
das plantas, responsável pela grande quantidade de produtos
naturais no reino vegetal, não é tão diverso
quanto se pensa. Muitas rotas metabólicas são
comuns a diferentes grupos de plantas. Assim, a rota metabólica
responsável pela formação de compostos
terpênicos, presente nos frutos cítricos (laranja,
limão, pomelos), não difere em essência
daquela presente nas variedades de uva do tipo moscatel ou Riesling.
Pequenas variações na configuração
das moléculas deste grupo, podem, no entanto, determinar
uma diferente característica aromática.
Porém, não é somente a genética
que controla a qualidade e quantidade dos aromas. A intensidade
e diversidade destas substâncias também depende
das condições ecológicas onde se encontra
o vinhedo, do grau de maturação atingido pelos
frutos (determinado pelas condições climáticas
e de cultivo do vinhedo), do processo de vinificação
empregado e das condições de conservação
e idade dos vinhos.
Para ajudar na tarefa de resgatar da memória os nomes
dos aromas, apresentamos como caráter sugestivo alguns
descritores que eventualmente aparecem nos vinhos varietais.
Com um pouco de atenção, você poderá
encontrar muitas outras associações.
Vinhos
varietais brancos:
Chardonnay: maçã verde, melão, pêssego,
amêndoas, carvalho (tostado), abacaxi, pêra, frutos
cítricos, baunilha
Chenin Blanc: goiaba, camélia
Gewurztraminer: citronela, especiarias, gerânio, rosas,
papaia, litche
Moscatos: floral, frutos cítricos
Pinot Gris: frutado, queijo romano
Riesling: rosas, pinus, frutado, limão
Sauvignon Blanc: pimentão verde, floral, herbáceo,
maracujá , pomelo, pêra
Sémillon: figo, melão, folha de fumo
Viognier: pêssego, damasco, casca de limão ou laranja
Vinhos
varietais tintos:
Cabernet Franc: pimentão verde, aspargos, frutos vermelhos
(amoras)
Cabernet Sauvignon: cassis, pimentão verde, eucalipto,
amora preta, framboesa, azeitona preta, carvalho, fumo
Dolcetto: marmelo, amêndoas
Gamay: framboesa, banana (associado ao processo de maceração
carbônica)
Grignolino: cravo da índia
Merlot: cassis, ameixa, eucalipto, anis, fumo, chocolate, café,
azeitona preta, amora preta
Nebbiolo: violeta, rosa, trufas
Pinot Noir: cereja, framboesa, menta, violeta
Syrah/ Shiraz: violeta, geléia de amoras ou framboesa,
pimenta preta
Tempranillo: cítricos, incenso, geléia de amoras
ou framboesa, trufas
Touriga Nacional: cereja, menta
Zinfandel: framboesa, geléia de amoras ou framboesa,
pimenta preta, uva passa, ameixa, café.
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Mauro Zanus Eng Agrônomo também é confrade da Confraria do vinho d |
