Artigo

O Vinho e o Envelhecimento

"Moderadamente bebido, o vinho é medicamento que rejuvenesce os velhos,
cura os enfermos e enaltece os pobres." Platão [427 a. C. - 347 a. C.]


O envelhecimento da célula, dos tecidos e do organismo como um todo, é uma ação dos radicais livres. Radicais livres são substâncias que possuem um elétron livre na última camada. Por isso são muito instáveis, reativas. Para se estabilizar elas podem ganhar um elétron (reação de redução) ou perder um elétron (reação de oxidação). Algumas ações dos radicais livres na natureza são: a ferrugem (oxidação!) dos metais, o ranço das gorduras e o endurecimento das tintas. Os seus efeitos sobre o organismo são, de uma maneira geral, nocivos. Eles estão relacionados há cerca de 60 condições clínicas, entre elas a catarata, a aterosclerose, o câncer e o ENVELHECIMENTO.
O próprio organismo gera radicais livres, como nas inflamações, na isquemia (diminuição ou falta de sangue em parte do organismo), no estresse (sobrecarga) físico e/ou emocional. Mas o organismo também pode obtê-los de fontes externas, como na radiação ultravioleta (do sol) e outras radiações ionizantes (raios X, radioterapia), poluição e cigarro. Este é o maior gerador dessas substâncias: em 1 tragada de cigarro se absorve cerca de 1017 radicais livres. Em outras palavras: estresse, sol e cigarros são importantes agentes do envelhecimento.
Os responsáveis pelo combate a ação nociva dessas substâncias no organismo são os varredores de radicais livres ou antioxidantes. Existem algumas substâncias que são excelentes antioxidantes, como a Vitamina E, a Vitamina C e os Polifenóis. O próprio organismo produz algumas enzimas que têm esse efeito, como a superoxidismutase, catalase e a glutation peroxidase. A produção dessas proteínas (enzimas são um tipo de proteínas!) diminui com a idade. Isso quer dizer que quanto mais velha uma pessoa fica, mais ela está exposta aos processos orgânicos do envelhecimento.
A vitamina E é uma referência em Medicina como antioxidante. Pois o Resveratrol, um dos cerca de 200 Polifenóis já identificados no vinho e o mais estudado, tem uma ação varredora de radicais livres 10.000 vezes superior ao Tocoferol (Vitamina E). Por essa impressionante ação antioxidante é fácil de entender o efeito protetor que o vinho desempenha sobre todos os processos naturais de envelhecimento.
É necessário salientar que para usufruir esses importantes benefícios do vinho deve-se bebê-lo moderada, regularmente e junto às refeições.
Muitas pesquisas médicas, cientificamente bem conduzidas, comprovam os esperados benefícios da ingesta moderada e regular de vinho junto às refeições, na proteção do envelhecimento. Algumas delas valem comentários.
É verdade que quem bebe vinho regular e moderadamente junto às refeições morre mais tarde. Estudos do Dr. Dougnac em 1933, e o Dr. Martine Baspeyras em 1986, documentam um aumento de 25% e 45% na expectativa de vida em regiões vitivinícolas. No mundo todo, a maioria das “ilhas” de longevidade, são regiões onde se têm o hábito de beber vinho regularmente.
Vários estudos demonstram que as pessoas idosas que bebem vinho moderada e regularmente durante as refeições têm melhor qualidade de vida. Essas pessoas têm uma melhor comunicação e um maior nível de atenção e compreensão. Elas têm ainda menos agitação e um índice de incontinências menor.
Cientistas da Universidade de Milão, Itália, descobriram que o Resveratrol ativa a enzima mapquinase, que regenera os neurônios – as células cerebrais.
O Professor Jean-Marc Orgogozo, da Universidade de Bordaux, França, em 1997 apresentou um estudo que mostra que as pessoas que bebem 250 a 500 ml de vinho por dia, nas refeições, têm 75% menos chance de desenvolver a Doença de Alzheimer.
Um dos efeitos mais espantosos do vinho sobre o envelhecimento é na pele. Ele é tão impressionante talvez porque a pele está exposta e nela se pode observar diretamente esses resultados. O colágeno e a elastina são substâncias que dão consistência e elasticidade à pele. A colagenase e a elastase são enzimas que destroem o colágeno e a elastina, respectivamente, fazendo com que a pele fique atrófica e menos elástica. Pois os polifenóis do vinho bloqueiam a ação da colagenase e da elastase. Além disso, eles melhoram a microcirculação e a hidratação da pele. Esses efeitos ocorrem por via tópica (direto na pele) e são potencializados (aumentam em muitas vezes) se também ingerir polifenóis – e a maneira mais agradável é, sem dúvida, bebendo vinho moderadamente.
Pesquisas desenvolvidas pelo National Institute for Lengevity, do Japão, mostraram que as pessoas que bebem vinho moderadamente têm um Q.I. mais elevado dos que as que bebem outras bebidas alcoólicas ou que não bebem. O mesmo estudo mostrou também que quem bebe mais que 540 ml de vinho por dia têm um Q.I. menor dos que os abstêmios. Como se vê, beber vinho moderadamente é um ato de inteligência que preserva a inteligência.
Outro trabalho na mesma linha de estudo é o do Professor Erik L. Mortensen, da Universidade de Compenhague, Dinamarca, publicado no ano passado nos Archives of Internal Medicine. Neste artigo ele compara as pessoas que tomam vinho com as que tomam cerveja e que estavam entre 29 e 34 anos de idade. O que ele observou foi que quem toma vinho têm menos distúrbios emocionais, é socialmente mais integrado e têm um Q.I. mais elevado, em média 18 pontos.
Em resumo e em verdade: quem bebe vinho moderada e regularmente nas refeições vive mais e com melhor qualidade de vida. É o que a ciência nos mostra...

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Dr. Jairo Monson de Souza Filho
Especialista em Clínica Médica, área de atuação: Cardiologia, também é confrade da Confraria do vinho de Bento Gonçalves
e-mail: jairo@monson.med.br