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É verdade que vinho prejudica os jogadores de futebol?

            Só se for em excesso. Uma taça de vinho, junto com uma refeição rica em carboidratos, na véspera de uma partida, favorece o desempenho do jogador de futebol. É por isso, e não por fanfarronice, que o vinho faz parte do cardápio de muitas seleções europeias do esporte bretão. Acredito que o Maradona tenha liberado o vinho para os jogadores argentinos também por isso.

No vinho existem cerca de 1.000 componentes. Oitenta e cinco a 90% dele é água. Ele tem pouco açúcar. Nada em alguns secos e até 80 gramas por litro nos mais suaves. Não tem gorduras. Tem 1 a 2 gramas por litro de proteínas, muitas delas desintoxicadoras, algumas regeneradoras e outras agem direto na digestão. Costumam ter quantidades significativas dos aminoácidos essenciais (Lisina, Fenilalanina, Triptofânio e Ácido Glutâmico). Esses aminoácidos são assim chamados porque eles são essenciais ao nosso metabolismo (principalmente na prática de atividade física) e o organismo não sabe produzí-los, por isso devem ser ingeridos.

O vinho ainda tem vários eletrólitos e oligoelementos, muitos na forma iônica ou quelada, que é aquela em que o organismo mais tira proveito. Tem teores consideráveis de potássio, cálcio, magnésio, sódio, ferro, cloro, zinco, cromo, cobre e manganês. Os cinco primeiros são de vital importância para os atletas.

Tem ainda vitaminas, sobretudo as do Complexo B – justamente as de maior demanda orgânica pelos atletas. E tem também 2 a 8 gramas por litro de polifenóis. Os eletrólitos, os oligo-elementos quelados, as vitaminas do Complexo B e os polifenóis do vinho são de grande valia para o metabolismo dos atletas.

O vinho contém ainda álcool em quantidades apreciáveis; quase que exclusivamente o etanol, mas também metanol, glicerol e outros menos expressivos. O álcool em doses altas é um vilão; mas em doses baixas tem se mostrado bonançoso para a saúde, sobretudo se na presença dos polifenóis – como no vinho!

Os carboidratos, principalmente na forma de glicose, são a grande fonte de energia para os atletas. Quando o organismo não consegue dispô-la com esse fim (por aporte insuficiente ou por falha no mecanismo de seu uso) ele lança mão das gorduras e proteínas o que não é bom. As gorduras geram pouca energia e muito ácido lático, o grande responsável pelas dores e câimbras musculares. E o uso das proteínas para gerar energia é um verdadeiro crime biológico. É trágico para um atleta ter que usar músculo para gerar energia! A Insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas com a função de colocar a glicose para dentro das células, onde é metabolizada e gera energia. O Cromo e os polifenóis do vinho aumentam a sensibilidade das células à ação da Insulina, melhorando com isso o aproveitamento dos carboidratos e o ganho energético. Assim, diminui a quantidade de Insulina no sangue, o que é amplamente benéfico ao metabolismo.

Os polifenóis do vinho agem sobre o endotélio vascular levando a uma dilatação dos vasos sanguíneos. Isso melhora o aporte de sangue e por consequência de oxigênio e nutrientes para os tecidos, entre eles os músculos e o cérebro – o que ajuda sobremodo o jogador de futebol.

Os polifenóis do vinho inibem as Ciclo-oxigenases (enzimas mediadoras da inflamação) e tem um efeito anti-inflamatório semelhante a Fenilbutazona e Indometecina – medicamentos desenvolvidos e disponibilizados pela indústria farmacêutica e amplamente utilizados pelos jogadores de futebol e outros atletas. Essa ação anti-inflamatória é sobremaneira benéfica para quem se exercita de maneira competitiva.

Como vimos, o vinho, além de altamente palatável, é um alimento (e também uma bebida alcoólica!) cujo perfil nutricional, metabólico e de benefícios para a saúde, pode ser maravilhosamente favorável ao jogador de futebol – se bebido moderadamente com as refeições e quando não houver contraindicação ao seu consumo.

Vinho para jogador de futebol é mais ciência que fanfúrria.

 

jairo@monson.med.br