Artigo

Com vinho na boca


 
    Com vinho na boca podemos ter muitas sensações. Quase sempre prazerosas; às vezes nem tanto. Mas também podemos ter importantes implicações na saúde oral. É disso que vou me ocupar nesse artigo.
    A placa dentária é um filme aderente de bactérias que se forma nos dentes. Ela é o processo inicial da cárie que é quando ocorre a destruição da estrutura do dente. Os três principais agentes dessas lesões são: o Streptococcos mutans, o Actinomyces viscosus e o  Lactobacillus. Na China, o Dr. Yue Xiao e colegas, demonstraram que os polifenóis do  vinho são capazes de inibi-los. Por isso, as  pessoas que costumam bochechar vinho, têm  menos cáries dentárias. 
    A Dioxina causa, entre outros danos, doença periodontal por estimular a produção de Porphyromonas gingivalis. Por ser encontrada principalmente no cigarro e ar poluído ela acomete mais os fumantes e pessoas que costumam respirar pela boca. O Dr. Singh e  colegas da Universidade de Toronto, no Canadá, mostraram que o Resveratrol – um  polifenol presente em quantidades apreciáveis nos vinhos – inibe este efeito maléfico da  Dioxina e sugere o seu uso como agente protetor e terapêutico para esses casos.
    Os pigmentos dos vinhos tintos tingem os dentes e comprometem a estética. Existe uma relação direta entre a intensidade de cor do vinho, o tempo de contato e as manchas nos dentes. A boa notícia é que respondem bem às terapias de clareamento.
    A erosão dentária é a perda de substância da superfície do dente por processo químico, sem o envolvimento de bactérias. Ela costuma deixar o dente mais sensível. O esmalte do dente dissolve-se em um pH entre 5,0 e 5,7. Os vinhos geralmente têm um pH  entre 3,0 e 3,8. Os brancos habitualmente são mais ácidos e, portanto mais corrosivos. Os  principais ácidos encontrados no vinho costumam ser o tartárico, o málico e o lático, justo os mais corrosivos. Em menor quantidade encontramos o ácido cítrico, o succínico e o  acético, que são menos corrosivos. O dano ao esmalte do dente guarda uma relação direta  com o tempo de exposição. É importante quando esse tempo é superior a 120 segundos. A  saliva é uma das defesas do organismo contra a erosão dos dentes. A presença demorada de  vinho na boca, além de aumentar o tempo de contato com os dentes, inibe a produção de  saliva o que favorece ainda mais a erosão. Resinas protetoras e vernizes com flúor  protegem da corrosão.
    Pode se ver algumas recomendações para se preservar a saúde oral quando se bebe  vinho de maneira regular. Veja abaixo.
    Enólogos e enófilos costumam ter dentes mais fracos e sensíveis (pela erosão do esmalte), porém poucas cáries e doenças periodontais. Esse é mais um dos tantos paradoxos do vinho.

Recomendações para preservar a saúde oral  quando se bebe vinho regularmente
*Beber sempre junto com os alimentos
*Ficar com o vinho na boca apenas o tempo suficiente para desfrutar o seu buquê
*Escovar os dentes após a ingesta, evitando modos e escovas muito abrasivos
*Bochechar colutórios alcalinos
*Aplicar resinas protetoras e/ou vernizes com flúor
 

Jairo Monson de Souza Filho 
jairo@monson.med.br