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A nova arquitetura do vinho
12 02 2007 - 19:12
Dominus Winery, Yountville, USA: manter a temperatura estável foi o princípio que determinou o projeto da Dominus, com solução original e criativa, diferenciando-se de tudo o que já se havia feito em termos de construção vinícola.
Com gabiões, que são um tipo de enormes cestos cheios de pedras irregulares, se construiu uma parede de pedras que literalmente se funde com a paisagem.
As edificações projetadas exclusivamente para a elaboração de vinhos começam (e precisam!) romper alguns padrões.
A nova arquitetura do vinho está expressa em três
1ª) a construção do vinho em si;
2ª) a construção do ambiente em que o vinho é elaborado;
3ª) a psicologia inerente ao novo consumidor do vinho, já este incorpora e expressa para o consumidor a imagem do ambiente em que ele é elaborado.
.Cada vez mais se associa o produto a seus conceitos intrínsecos e a outros elementos e produtos (inclusive marcas) que expressam os mesmos valores a serem agregados. Mais que de estética, falamos aqui de valor agregado.
O que melhor expressa os atributos de um produto que o ambiente onde ele é elaborado?
Vinho é paixão. As pessoas que se envolvem com este mundo freqüentemente usam esta energia como plataforma para a criatividade, a inovação e o lúdico. Sempre associado com tradição, o mundo do vinho está recriando seus conceitos. Parece claro que a tradição que tratamos aqui é a produção de vinhos, e não a forma ou o espaço, por vezes ultrapassado, que insiste em remarcar um passado que não foi tão glorioso assim.
Vinícolas com estilo e elegância têm ainda a missão de resguardar o vinho das vicissitudes do clima, de simbolizar as virtudes que lhe confere o passar do tempo, de representar fortalezas ao calor e a luz.
Houve o período dos “châteaux”, depois as vinícolas que se assemelhavam a igrejas, com imensas
Vinícola Petra, Toscana, Itália: um ponto de referência visível à distância e capaz de transformar-se em imagem da marca. Este foi o desafio do arquiteto Mario Botta, que criou um cilindro cortado em plano inclinado de 45º, acompanhando a declividade da colina ao fundo.
Pois este momento passou, e ao longo dos últimos vinte anos o vinho se globalizou e a concorrência comercial evidenciou a qualificação do produto. E aí a arquitetura recebeu dupla função: assegurar ao vinho as melhores condições para sua elaboração e guarda, e ainda proporcionar-lhe uma morada que o enobreça e diferencie dos demais..
Entre os critérios que o Arquiteto deverá tomar em conta serão: a higiene, em primeiríssimo lugar, com a utilização de materiais apropriados. O segundo parâmetro será o controle de temperatura, evitando as bruscas variações climáticas. Depois há que considerar-se o processo de elaboração em si, para que não haja conflitos e seja o mais linear possível. .
Bodega Séptima, Mendoza Argentina: rivalizando com a Cordilheira dos Andes ao fundo, ergue-se uma fachada monumental de 132 metros....
Existe algo mais espetacular que encontrar-se entre milhares de barricas?
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Bodega Séptima, Mendoza Argentina:......com vista espetacular dos vinhedos, projetado em função do processamento de 1,5 milhões de litros anuais de mosto em vinho
Explorar a declividade natural do terreno não se trata de uma economia de energia, mas sim de respeito à composição molecular do mosto: ao longo do processo de vinificação, as partículas que compõem o vinho polimerizam e formam moléculas cada vez maiores. Estas cadeias de moléculas correm ao risco de romper-se com a agitação, o ar e o calor.
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Viña Real, Álava, Espanha:inspirada em elemento funcional: a barrica. Totalmente concebida no conceito de gravidade, tem a guarda em barricas em túneis perfurados na rocha, garantindo estabilidade térmica.
Vanja Hertcert
vanjah@terra.com.br.