Grande demanda pelo curso faz Cefet ampliar instalações e oferecer especialização
28 10 2008 - 17:20O enólogo é responsável desde a viticultura, indicando quais variedades de uvas devem ser plantadas, o manejo adequado do parreiral e tratamentos fitossanitários. “Ele também acompanha a maturação das uvas para indicar o momento exato da colheita”, complementa Giselle Ribeiro de Souza, diretora de graduação e pós-graduação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (Cefet BG).

“Já na cantina, ele supervisiona o suporte da matéria-prima, seu recebimento e todo o processamento, além de estar envolvido nas decisões administrativas, de marketing e comercialização”, ressalta.
Essa característica fez com que o Cefet BG valorizasse também a questão do empreendedorismo, afim de propiciar vôos mais altos aos profissionais que forma. “Até porque a grande maioria das cantinas são familiares e o enólogo acaba sendo responsável por todas as áreas da empresa. É por isso que nossos cursos conciliam aulas teóricas e práticas de viticultura, enologia e, também, sobre marketing do vinho e sua comercialização. Tanto o técnico (ensino médio) quanto o tecnólogo (nível superior) têm a mesma formação, mas com diferentes níveis de aprofundamento”, analisa. Além das salas de aula, o Cefet conta com laboratórios e até mesmo uma cantina, onde os estudantes vêem a realidade industrial, participando de microvinificações. Há também uma área de plantio de vinhedos.
A primeira turma de nível superior do Cefet BG foi aberta em 95. O curso, que tem a duração de 2,5 anos mais um estágio já formou mais de 200 enólogos e a procura pelo curso é crescente: em média, a cada processo seletivo o número é de nove candidatos para cada vaga. “O momento é muito bom para quem optar por essa carreira. Isso porque existem novas regiões vitivinícolas no país. Antigamente o foco eram vinícolas e a Serra Gaúcha. Hoje o enólogo pode atuar em todo o país e em cadeias de supermercados, importadoras e outras empresas do segmento”.
Essa crescente demanda está fazendo com que o Cefet BG invista na qualificação. Para 2009 está prevista a construção de um novo prédio, que deve abrigar o curso de enologia, com laboratórios e infra-estrutura modernizada. Além disso, a escola vai oferecer, no ano que vem, uma especialização em viticultura e, futuramente, especialização em enologia. “O foco é que esses cursos se tornem mestrados. Para isso já firmamos parceria com Embrapa para fins de pesquisa e aumento do conhecimento em viticultura e enologia”, sintetiza Giselle. E a geração de conhecimento certamente será o diferencial, já que mais da metade dos 65 professores que integram os quadros do Cefet são doutores. Os outros, mestres ou doutorandos.