Bento Gonçalves

INTRODUÇÃO

Bento Gonçalves foi habitada inicialmente por indígenas e até 1870 chamava-se Cruzinha, por ser o local onde morreu e foi enterrado um traçador de estradas ou tropeiro. Por ato do Presidente da Província de São Pedro, com objetivo de ampliar a área de colonização, foram criadas as Colônias Dona Isabel e Conde D'Eu-hoje Bento Gonçalves e Garibaldi respectivamente.

Localizada na região dos vinhedos, tem como atração principal o Parque da Fenavinho, onde acontecem feiras, exposições e eventos esportivos culturais e esportivos. Seus atrativos naturais são vários.

O binômio móvel-vinho, é responsável pela base econômica do município, destacando-se ainda com forte presença, outras atividades como: setor metalúrgico, alimentício, têxtil, artefatos de couro e borrachas, artes gráficas e o setor plástico que apresenta as melhores perspectivas de crescimento dentro do atual contexto econômico. Quanto ao comércio, Bento Gonçalves apresenta qualidade e variedade de produtos, propiciando assim, boas compras.

O município tem cerca de cem mil habitantes, oferece toda a infra-estrutura necessária para que os visitantes possam desfrutar da gastronomia, do lazer, dos costumes e das tradições deste hospitaleiro povo Bento Gonçalvense. Hoje Bento Gonçalves pelo referencial turístico que possui, desenvolve a atividade que ganha expressão econômica a cada ano, especialmente no turismo rural e de negócios.

HISTÓRIA DE BENTO GONÇALVES

Em 1875, inicia a imigração italiana na Encosta Superior do Nordeste, originando as Colônias de Dona Isabel, Conde D' Eu e Nova Palmira (hoje Caxias do Sul).

A Colônia Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, criada em 1870, já era conhecida por Região da Cruzinha, devido a uma cruz rústica, cravada sobre a sepultura de um possível tropeiro ou traçador de lotes coloniais. Era época do escambo, da troca de mercadoria por mercadoria. A Colônia Dona Isabel sediava um pequeno comércio no qual os tropeiros faziam paradas para descanso.

Em 24 de dezembro de 1875, os núcleos do Planalto começaram a receber novos imigrantes, e em março de 1876, o Presidente do Estado, José Antonio de Azevedo Castro, anunciava a existência de 348 lotes medidos e demarcados, e uma população de 790 pessoas, sendo 729 italianos. Ainda em 24 de dezembro de 1875, outros pioneiros oriundos do Tirol Austríaco e Vêneto chegaram à esplanada, onde hoje está situada a Igreja Matriz Cristo Rei.

A troca compra e venda de produtos era feita na sede da colônia, após longas caminhadas por estreitas picadas, demarcadas pelos próprios imigrantes. Entre os imigrantes havia ferreiros, sapateiros, marceneiros, alfaiates, carpinteiros, entre outros profissionais que estabeleceram seus negócios dentro de suas especialidades, atendendo as necessidades locais. O surgimento das construções das casas, os instrumentos de trabalho e o mercado, foram acompanhando o desenvolvimento de Colônia Dona Isabel e também as exigências que se apresentavam. Frente o desenvolvimento, as condições das estradas foram melhorando e surgiram as primeiras carretas. Em cinco anos, houve um acréscimo de quatro mil habitantes, entre nascimentos e novos imigrantes. Em 1881, inicia a abertura da primeira estrada de rodagem ligando a Colônia Dona Isabel a São Jorge de Montenegro.

O início do povoamento foi marcado por inúmeras dificuldades. Em 1877, Colônia Dona Isabel sediava três casas comerciais, duas padarias, uma fábrica de chapéus e um total de 40 casas comerciais em todo o território da colônia.

O desmembramento da Colônia Dona Isabel do município de Montenegro, foi pelo Ato 474, de 11 de outubro de 1890, assinado por Cândido Costa, para constituir o município de Bento Gonçalves. O nome foi dado em homenagem ao general Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul em 1835 Bento Gonçalves deu seu primeiro impulso de progresso com a vinda da agência do Banco Nacional do Comércio. Embora tenham encontrado um Rio Grande mais organizado economicamente, os italianos tiveram de enfrentar dificuldades semelhantes às vividas pelos alemães. Mas, embora ambas as colonizações tenham sido feitas em zonas de mato, as áreas de ocupação italiana eram mais altas e mais acidentadas. Enquanto a colonização alemã atingiu seu ponto máximo em Nova Petrópolis (597 metros de altitude), a italiana se faria em altitudes que variavam entre 600 e 900 metros.

Isto porque a colonização alemã seguira os vales dos rios de parte da Depressão Central, interrompendo-se nas encostas inferiores da Serra Geral. A região da Encosta superior estava desocupada, e a colonização italiana começaria ali - entre os vales dos rios Caí e das Antas, limitando-se ao norte com os campos de Cima da Serra, e ao sul com as colônias alemãs do vale dos rios das Antas e Caí.

As primeiras colônias na Encosta Superior foram as de Conde D’ Eu e Donas Isabel (atualmente Garibaldi e Bento Gonçalves, respectivamente), criadas pela presidência da província em 1870, antes que se iniciasse o processo de imigração italiana no estado. Para ocupá-las, o governo provincial firmou contrato com duas empresas privadas, que deveriam introduzir 40 mil colonos em um prazo de dez anos.

Mas, como normalmente acontecia com esse tipo de contrato - que também foi adotado em alguns momentos pelo governo central - o sucesso foi pouco. Em 1872 chegaram 1.354 imigrantes, no ano seguinte 1.607, no de 1874 foram 580 e no de 1875 só 315. Os motivos para isto foram vários. Na Europa Central, e em especial na Alemanha, havia uma prevenção generalizada contra o Brasil - que era visto como um local onde os imigrantes sofriam privações.

Além disso, o governo provincial pagava menos para os transportadores do que o governo central, o que os desestimulava. Quanto aos próprios imigrantes, preferiam ficar no sopé da serra, nas áreas já colonizadas, do que se arriscarem mato adentro. Por isto em 1874 só 19 lotes de Conde D'Eu estavam sendo cultivados, com apenas 74 pessoas vivendo no local. Desestimulado por esse quadro de insucesso, o governo provincial desistiu de administrar a colonização da área, e repassou-a para o governo central.

É a partir de 1875 - sob a administração da União - que chegam as primeiras levas de italianos para Conde D'Eu e Dona Isabel. A área dessas colônias encontrava-se limitada pelo rio Caí, os campos de Vacaria e o município de Triunfo, sendo divididas entre si pelo caminho de tropeiros que seguia do local chamado de Maratá em direção ao rio das Antas (Conde D'Eu ficava à esquerda, Dona Isabel à direita).

No mesmo ano - 1875 - foi criada a colônia Caxias, no local chamado pelos tropeiros que subiam a serra em direção a Bom Jesus de "Campo dos Bugres". Esta colônia limitava-se com Nova Petrópolis, São Francisco de Paula, o rio das Antas e Conde D'Eu e Dona Isabel. Dois anos depois, em 1877, foi criada uma nova colônia para imigrantes italianos, a de Silveira Martins em terras de mato próximas de Santa Maria.

Essas quatro colônias oficiais foram os núcleos básicos da colonização italiana que, a partir dali, em uma primeira etapa, transbordaria para regiões próximas, que foram ocupadas por colônias particulares, e mais tarde atingiria o planalto. Foi assim que, em 1884, os colonos começaram a atravessar o Rio das Antas e foi criado Alfredo Chaves; São Marcos e Antonio Prado (1885) foram, por sua vez, um prolongamento natural de Caxias.

Também o governo imperial (pouco depois federal) criou as colônias italianas de Mariana Pimentel (1888), Barão do Triunfo (1888), Vila Nova de Santo Antonio (1888), Jaguari (1889), Ernesto Alves (1890) e Marquês do Herval (1891). A partir da Proclamação da República houve a preocupação de que as colônias criadas fossem mistas, com membros de várias etnias. Mas a idéia teve sucesso apenas parcial, pois geralmente os colonos se remanejavam, reagrupando-se, por iniciativa própria, segundo seus grupos étnicos.

Da mesma forma que os alemães, os italianos tinham que desbravar a terra que adquiriam. Mas, agora, os lotes eram bem menores, tendo uma média que ficava entre 15 e 35 hectares. Ali plantavam produtos de subsistência, como o milho e o trigo. Mas o cultivo que marcou sua presença no Rio Grande do Sul foi a videira.

Antes de sua chegada, a produção vinícola do Rio Grande era considerada de qualidade inferior. Mas os primeiros colonos trouxeram novas variedades de uvas e isto ajudou a aperfeiçoar a qualidade do vinho gaúcho. A partir do início deste século começavam a ser formadas cooperativas vinícolas e a produção foi crescendo e melhorando, transformando o estado no principal produtor de vinhos finos do país.

EMIGRAÇÃO: Fome e caos estão na origem da emigração

A emigração italiana foi provocada por fatores eminentemente econômicos. Mas, embora a base das duas tenha sido semelhante - alterações da economia que impossibilitaram a subsistência do pequeno proprietário - o processo que resultou na emigração diferiu nos dois países.

Entre as semelhanças, entretanto, convém destacar duas: a primeira, comum a toda a Europa, foi o grande crescimento demográfico, experimentado entre 1815 e 1914, que fez com que, nesse período, a população do velho continente saltasse de 180 para 450 milhões de habitantes, o que provocou a emigração para outros continentes de 40 milhões de pessoas - 85% das quais para as Américas. A segunda foi o processo de unificação, que em ambos os países foram tardios: em 1870 na Itália, em 1871 na Alemanha.

Mas a Itália de 1870 - épocas em que começa a emigração maciça - apresentava suas peculiaridades. Ainda na década de 60, antes de concluída a unificação, a supressão das alfândegas regionais, a oferta de produtos industriais a preços reduzidos e o desenvolvimento das comunicações haviam destruído a produção artesanal, atingindo os pequenos agricultores - que complementavam a sua renda com o trabalho em indústrias artesanais existentes no campo.

A unificação alfandegária - que impôs a toda a Itália o sistema alfandegário da Sardenha, que tinha as taxas mais baixas - fez com que as economias regionais, que até então, mais ou menos fechadas, conseguiam manter certo equilíbrio, sofressem um violento baque. Também a disparidade econômica do Norte - que se industrializou mais cedo - e do sul (mais agrícola) agravou o quadro econômico do país.

Preocupado em obter recursos para a realização de obras públicas, como ferrovias, o governo italiano tomava medidas impopulares, como o imposto sobre a farinha, que atingia duramente os pobres. Nas décadas de 70 e 80 várias decisões dessa ordem aumentariam os problemas.

Exemplo disto foi a de controlar a entrada dos cereais vindos das Américas, que eram vendidos mais barato do que os produzidos localmente. Essa medida beneficiava apenas os grandes produtores, que vendiam o produto, já que os pequenos produziam apenas para seu uso. Mas, ao mesmo tempo, prejudicava toda a população, que era obrigada a comprar farinha por um preço mais caro.

Também a indústria vinícola foi atingida por medidas desse tipo. O governo italiano resolveu unilateralmente decretar uma taxa alfandegária sobre a entrada de produtos. A França, como resposta, tomou atitude semelhante: decretou uma taxa para produtos italianos. Com isto, a exportação de vinho da Itália para a França caiu de 300 milhões de litros em 1887 para 1,9 milhão em 1890.

A situação, do ponto de vista do pequeno agricultor, era caótica. A pequena indústria artesanal, que complementava a sua renda, tinha sido destruída. Os impostos estavam elevados. Os minifúndios eram cada vez menores e a solução era apelar para a passarinhada - caçar passarinhos se tornou a única alternativa para ingerir proteínas de origem animal. Aumentou também o consumo de pratos à base de milho, como a polenta.

Com uma dieta alimentar desequilibrada, os camponeses se tornaram subnutridos e fracos, e começaram a sentir o peso da visitante que sempre acompanha a miséria: a doença. Cresceu o número de casos de malária e de pelagra (avitaminose causada pelo consumo quase que exclusivo de milho). A alternativa foi emigrar.

Entre os anos de 1919 a 1927 ocorreram a instalação da luz elétrica, da estação transformadora e da rede de distribuição. É também inaugurado o Hospital Bartholomeu Tacchini.

Em 1950, a população era de 22.600 habitantes. As principais atividades econômicas eram as do setor agrícola. Contudo, começaram a surgir várias indústrias, como acordeões, laticínios, móveis, curtume, fábrica de sulfato e vinícolas.

Em 1967, Bento Gonçalves passa por uma grande transformação, por marco histórico. Com a colaboração de fortes lideranças e a ajuda de toda a comunidade, surge a I FENAVINHO. O município foi visitado pela primeira vez por um Presidente da República e o seu principal produto, a força de sua economia é divulgada em todo o Brasil, tornando a cidade conhecida nacional e internacionalmente. O município descobre a sua vocação para o turismo de negócios e começa a sediar eventos de grande porte. Seu parque de exposições, atualmente, é o segundo da América Latina. Bento Gonçalves é sede de eventos como MOVELSUL, FIMMA, Vino Brasil, Avaliação Nacional de Vinhos, FENAVINHO e EXPOBENTO.

O SURGIMENTO DA LINHA PALMEIRO

Foi às margens do arroio Barracão que, a partir de 1870, a Comissão de Colonização e Terras do Governo Imperial do Brasil instalou-se para demarcar os lotes de terras da Linha Palmeiro. (a maior de todas as linhas da colonização italiana com 200 lotes de 48,4 ha cada). No final de 1875 o barracão, “uma alta construção de um só plano e mal vedado, com longas taquaras pregadas na parede, horizontalmente, e cobertas de barro e folhas”, (Giuseppe Dall’Acqua, 1878 in Arlindo Battistel e Rovílio Costa, 1983, p. 1172) começou a receber, e hospedar provisoriamente as primeiras levas de imigrantes. Ali eles recebiam seus lotes, algumas ferramentas, sementes e outros utensílios. Isso, porém, só acontecia após uma longa espera que podia chegar a diversos meses. Os colonos eram cadastrados e tudo o que recebessem inclusive a terra, era-lhes lançado como dívida com o Governo Imperial que deveria ser quitada no prazo de 10 anos. Tudo foi planejado para que o local fosse à sede da colônia Dona Isabel, mas já em 1876, não se sabem bem os motivos, a Comissão de Terras transferiu-se das margens do arroio Barracão para o alto do morro, na Cruzinha, sob um pinhal onde hoje é o centro de Bento Gonçalves.

Assim escreve em seu relatório o Agente Consular Italiano Luigi Petrocchi em 1905: “A sede da nova Colônia Dona Isabel, (hoje Bento Gonçalves), foi traçada em 1875, em um vale entre dois cursos d’água, num local baixo, próximo ao barracão dos imigrantes, e chamada então de cidade branca, devido às tendas feitas de lençóis”. O local foi a porta de entrada dos colonos assentados na Linha, que inicialmente não passava de uma picada tortuosa no meio da mata tentando acompanhar uma linha imaginária reta. O nome Palmeiro foi dado em homenagem ao Major Engenheiro José Maria da Fontoura Palmeiro, responsável pelos assentamentos nas terras do Governo Imperial. Como os lotes eram grandes, normalmente eram assentadas duas famílias por lote, uma em cada extremidade. O visitante que ingressar nos Caminhos de Pedra pelo Barracão estará, pois, utilizando a mesma porta de entrada dos primeiros imigrantes, revivendo as mesmas sensações dos recém-chegados, através das histórias contadas pelos seus descendentes. Não deixe de dar esse mergulho na história da imigração italiana no Rio Grande do Sul.

CONCLUSÃO

Bento Gonçalves, criada em 1870, na época conhecida como Colônia Dona Isabel, teve um desenvolvimento bastante considerável durante sua história. Seu nome foi dado em homenagem ao General Bento Gonçalves da Silva, chefe da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul em 1835.

Hoje com uma área de 381 km e cento e vinte mil habitantes a cidade é um centro turístico reconhecido mundialmente.

Situada na Serra Gaúcha, nordeste rio grandense, lugar escolhido pelos italianos devido ao clima mais propício para a cultura da videira e mais semelhante ao da Europa, os italianos se estabeleceram, e até hoje sua cultura predomina na região.

Maiores informações no site http://www.guiabento.com.br